sábado, 10 de junho de 2017

‘Cette Nuit-Là...’ (‘Aquela Noite’): Maurice Cazeneuve fez um clássico do ‘Noir’ francês! – Marcos Doniseti!

‘Cette Nuit-Là...’ (‘Aquela Noite’): Maurice Cazeneuve fez um clássico do ‘Noir’ francês! – Marcos Doniseti!
'Cette Nuit-Là', de Maurice Cazeneuve... Para Stanley Kubrick este é um dos 10 melhores filmes de todos os tempos. 
‘Cette Nuit-Là’ é um filme francês produzido em 1958, que claramente está inserido na tradição dos filmes policiais ‘Noir’, e que Stanley Kubrick considerava como um dos dez melhores filmes de todos os tempos. 

Este é um típico filme policial ‘Noir’, sendo que grande parte dos principais elementos do ‘estilo’ estão presentes no mesmo.

Para os estudiosos dos filmes ‘Noir’, entre os seus principais elementos e características, nós temos: 

A) A presença da ‘femme fatale’: Uma mulher bela, sensual e fatal (e quase sempre loira); 

B) O erotismo latente, com a presença de muitas jovens e belas mulheres, que usam da sua beleza e sensualidade para manipular os homens, que acabam tendo, muitas vezes, finais trágicos; 

C) Crimes, que são vistos pelas pessoas como o único mecanismo possível de ascensão social e econômica numa época de crise econômica marcada pela Grande Depressão e pela Segunda Guerra Mundial, bem como a melhor maneira de resolver os conflitos, pois as instituições estão corrompidas (principalmente a Polícia e a Justiça) e não são confiáveis; 
A belíssima Mylène Demongeot interpreta Sylvie, uma femme fatale que manipula o patrão e que desencadeia uma sucessão de acontecimentos sobre os quais ela perde totalmente o controle e que prejudicam o seu próprio marido. 
D) Investigação policial feita por um detetive durão, que vive no ‘limite da honestidade’: Ele enfrenta os poderosos, mas também faz acordos com os mesmos a fim de garantir a sua sobrevivência; 

E) Cenas noturnas, tipicamente urbanas, feitas em ruas escuras e desertas;

F) Forte influência do cinema Expressionista alemão, de filmes realizados por cineastas como Fritz Lang, Paul Leni e F.W. Murnau que, depois, foram trabalhar em Hollywood;

G) Significativa influência dos filmes de Gângsters, muito populares nos EUA durante a década de 1930, época da Lei Seca e da Grande Depressão. A principal obra desta época foi ‘Scarface’ (1932), de Howard Hawks. Tais filmes glorificavam os bandidos, eram marcados por uma moral ambivalente e mostravam muitas cenas de crimes e violência, é claro;

H) Visão crítica e bastante negativa sobre a sociedade, que é mostrada como sendo corrupta, repressiva, injusta, moralista, hipócrita e violenta; 
Reverdy é um patrão rico, corrupto, amoral e sem escrúpulos que é apaixonado pela bela modelo Sylvie, que é casada com Jean, e que tenta conquista-la de qualquer maneira. 
I) Influência da literatura policial ‘Hard-Boiled’, que também foi chamada de ‘Noir’, que foi produzida por escritores como Dashiel Hammett (inventor do gênero), Raymond Chandler, James M. Cain e David Goodis, entre outros;

J) Influência das histórias de crime e mistério que foram publicadas nas chamadas ‘Pulp Magazines’ (alguém aí se lembrou de ‘Pulp Fiction’?), caso das revistas ‘Black Mask’, ‘Dime Detective’ e ‘Detective Fiction Weekly’ que fizeram imenso sucesso durante a década de 1930 e 1940. 

O termo ‘Filme Noir’ foi criação de um crítico francês, Nino Frank, que o usou, pela primeira vez, em um texto intitulado “‘Um Nouveau Genre Policier: L’Aventure Criminelle’”, que foi publicado por uma revista francesa (‘L’Ecran Français) em 
Agosto de 1946. 

Nino Frank e outros críticos franceses tomaram contato, no Pós-Guerra, com uma série de filmes policiais produzidos nos EUA, sendo que eles possuiriam certas características em comum. 

Obs1: Outro crítico francês que passou a usar o termo ‘Filme Noir’ foi Henri-François Rey, que é um dos roteiristas deste clássico filme de Cazeneuve.
Alan Ladd e Veronica Lake, casal icônico dos filmes Noir. 
Entre os filmes tidos como definidores do ‘Noir’ por tais críticos, temos: ‘Relíquia Macabra’ (John Huston, 1941); ‘Alma Torturada’ (Frank Tuttle, 1942); ‘Até a vista, Querida’ (Edward Dmytryk, 1943); ‘Laura’ (Otto Preminger, 1944); ‘Pacto de Sangue’ (Billy Wilder, 1944); ‘Um Retrato de Mulher’ (Fritz Lang, 1944); ‘Assassinos’ (Robert Siodmak, 1946); ‘À Beira do Abismo’ (Howard Hawks, 1946); ‘Gilda’ (Charles Vidor, 1946); ‘A Dama do Lago’ (Robert Montgomery, 1947). 

No livro ‘História do Cinema Mundial’ (página 181), Fernando Mascarello escreveu o seguinte a respeito dos filmes ‘Noir’:

“O elemento central é o tema do crime, entendido pelos comentadores como campo simbólico para a problematização do mal-estar americano do pós-guerra (resultado da crise econômica e da inevitável necessidade de reordenamento social ao fim do esforço militar). 

Segundo esses autores, o Noir prestou-se à denúncia da corrupção dos valores éticos cimentadores do corpo social, bem como da brutalidade e hipocrisia das relações entre indivíduos, classes e instituições.

Foi veículo, além disso, para a tematização (embora velada) das emergentes desconfianças entre o masculino e o feminino, causadas pela desestabilização dos papéis sexuais durante a guerra. 
Cena do filme 'The Big Combo', clássico Noir de 1955 que foi dirigido por Joseph H, Lewis. 
Metaforicamente, o crime Noir seria o destino de uma individualidade psíquica e socialmente desajustada, e, ao mesmo tempo, representaria a própria rede de poder ocasionadora de tal desestruturação. 

A caracterização eticamente ambivalente da quase totalidade dos personagens Noir, o tom pessimista e fatalista, e a atmosfera cruel, paranoica e claustrofóbica dos filmes, seriam todos manifestação desse esquema metafórico de representação do crime como espaço simbólico para a problematização do pós-guerra.”.

A respeito dos aspectos narrativo e estilístico dos filmes ‘Noir’, Mascarello escreveu o seguinte: 

“Já do ponto de vista narrativo e estilístico é possível afirmar (grosso modo) que as fontes do Noir na literatura policial e no Expressionismo cinematográfico alemão contribuíram, respectivamente, com boa parte dos elementos cruciais. 

Entre os elementos narrativos, cumpre destacar a complexidade das tramas e o uso do flashback (concorrendo para desorientar o espectador), além da narração em over do protagonista masculino.
Dorothy Malone e Humphrey Bogart em 'The Big Sleep', um dos maiores clássicos Noir. 
Estilisticamente, sobressaem a iluminação low-key (com profusão de sombras), o emprego de lentes grande-angulares (deformadoras da perspectiva) e o corte do big close-up para o plano geral em plongée (este, o enquadramento Noir por excelência).

E ainda a série de motivos iconográficos como espelhos, janelas (o quadro dentro do quadro), escadas, relógios etc. - além, é claro, da ambientação na cidade à noite (noite americana, em geral), em ruas escuras e desertas. 

Num levantamento estatístico, possivelmente mais da metade dos Noirs traria no título original menção a essa iconografia - night, city, street, dark, lonely, mirror, window - ou aos motivos temáticos - killing, kiss, death, panic, fear, cry etc.”.

Obs2: Trecho retirado do livro ‘História do Cinema Mundial’ (Fernando Mascarello – org.), capítulo ‘Filme Noir’, de autoria de Fernando Mascarello, páginas 181-182. 

Estudos feitos a respeito dos filmes policiais ‘Noir’ também notaram a presença de um tema que, muitas vezes, está meio que escondido nas ‘entrelinhas’ dos mesmos, que é a ‘crise da masculinidade’, com o homem tendo cada vez menos controle sobre o comportamento das mulheres nesta época. 
Jean, Reverdy e Sylvie. Dois homens em conflito por causa de uma bela mulher? Isso não pode acabar bem... 
Sobre este assunto, Fernando Mascarello escreveu o seguinte: 

“Os proponentes do Noir afirmam ter sido ele veículo para a representação de um dos elementos centrais da "cultura da desconfiança" do pós-guerra: a intensa rivalidade entre o masculino e o feminino. 

Esta resultava, por um lado, da modificação dos papéis sexuais em decorrência da mobilização militar e, por outro, da disputa pelo mercado de trabalho entre os contingentes retornados do front e a mão-de-obra feminina treinada para substituí-los durante o conflito. 

O que produzia, em conjunto, uma verdadeira crise identitária masculina ou, como quer Richard Dyer, "uma ansiedade com relação à existência e definição da masculinidade e da normalidade" (1978, p. 91). 

De acordo com esse autor, o tema é "raramente expresso de forma direta, podendo, no entanto, ser considerado constitutivo da problemática do Noir, aquele conjunto de temas e questões de que os filmes procuram dar conta sem porém nunca realmente articulá-los".
Reverdy olhando uma fotografia da bela, jovem, sensual e irresistível Sylvie... 
É nesse contexto que deve ser entendida a figura Noir mítica da mulher fatal. Um dos temas mais recorrentes da história da arte, no Noir, a femme fatale metaforiza, do ponto de vista masculino, a independentização alcançada pela mulher no momento histórico do pós-guerra. 

Ao operar a transformação dela em sedutora malévola e passível de punição, o Noir procura reforçar a masculinidade ameaçada e restabelecer simbolicamente o equilíbrio perdido.”.

Obs3: Trecho retirado do livro ‘História do Cinema Mundial’ (capítulo ‘Filme Noir’, de 
Fernando Mascarello, página 182). 

E neste belo filme de Cazeneuve essa ‘crise da masculinidade’ fica mais do que evidente. 

A estrela do filme é a jovem, sensual e belíssima atriz Mylène Demongeot, que interpreta Sylvie, que contava com 23 anos de idade quando o filme foi realizado. 
Sylvie tem plena consciência da atração que exerce sobre Reverdy e usa isso para conseguir dinheiro dele. Nos filmes Noir as mulheres que exerciam o papel da 'femme fatale' eram quase sempre loiras. 
Sylvie é uma modelo fotográfica e também a bela esposa de um funcionário (Jean Mallet) de uma revista de moda, cujo proprietário (André Reverdy) demonstra grande interesse por Sylvie, sendo apaixonado pela mesma. Esse interesse fica bastante evidente desde as primeiras cenas do filme. 

Já no primeiro diálogo entre ambos, Reverdy diz 'Ela era bela e ele era rico. E assim começam todas as histórias de amor'. Logo depois, Reverdy critica acidamente o trabalho feito por Jean e sua equipe e determina que a capa da próxima edição da revista seja uma fotografia de Sylvie. 

Jean pergunta para Giselle, secretária de Reverdy, porque o patrão o detesta. Ela diz que o motivo disso é que ele, Jean, é mais talentoso e mais jovem... Ela também segura a revista com a fotografia de Sylvie, como se estivesse dizendo 'Mas o principal motivo é você tem a mulher que ele deseja'. Ela completa falando que aquilo que Reverdy deseja, ele deseja de verdade. 

Assim, Jean percebe o crescente interesse do seu patrão por sua bela esposa e isso faz com que ele fique, cada vez mais, com ciúmes de sua mulher, o que é percebido por Sylvie, é claro. Além disso, Jean também adota uma postura crescentemente hostil em relação à Reverdy, dizendo para este ficar longe da mesma. 
Sylvie: Bela, sensual, jovem e manipuladora. Sua independência em relação ao marido irá criar sérios problemas para ambos. Os filmes Noir retratavam a perda de poder dos homens sobre as mulheres na sociedade americana e europeia do Pós-Guerra. 
Reverdy, porém, neste momento, pega o exemplar da revista (com Sylvie na capa), o que é uma maneira clara de dizer que ele não fará isso. Mesmo assim, a bela Sylvie procura amenizar o clima ruim que existe entre os dois homens. 

Porém, existe uma razão muito forte para que ela adote esse comportamento: Jean e Sylvie precisam de dinheiro (dois milhões de Francos) para construir uma garagem.

Sylvie sugere para o marido que sabe como poderá conseguir o dinheiro: procurando atrair e seduzir Reverdy, fazendo com que este passe a ter esperanças de que poderá vir a conquista-la. 

Assim, Sylvie é a mulher fatal e sedutora da história (e é muito bonita e loira, é claro). 

Jean, porém, repudia inteiramente essa ideia e fica inconformado quando descobre que a sua bela esposa pensou em levar tal plano adiante. Neste momento, fica claro que o marido, Jean, não consegue controlar o comportamento de Sylvie. É a ‘crise do homem’, ou da ‘masculinidade’, que está em evidência no filme. 

Em outra cena, inclusive, um personagem (um chantagista) diz para Jean que o padrão de vida que ele desfruta somente é possível devido ao trabalho de Sylvie como modelo, mostrando que há uma dependência econômica de Jean em relação à esposa. 
Sylvie e Jean vivem momentos de angústia com a possibilidade dele ser preso pela Polícia de Paris. As ações de Sylvie desencadearam uma sucessão de acontecimentos sobre os quais ela perdeu o controle. 
Para se constatar essa independência de Sylvie em relação a Jean basta ver como a mesma age em relação à Reverdy, patrão dela e do marido. 

Sylvie decide usar do imenso poder de atração que exerce sobre Reverdy para tirar proveito do mesmo, tentando conseguir, desta maneira, os dois milhões de francos que ela e o marido necessitam para completar a reforma do seu apartamento. E ela age dessa maneira mesmo com o marido reprovando tal comportamento. Logo, ela é muito bela, mas de ingênua a sensual Sylvie não tem absolutamente nada. 

E quando ele fica sabendo que Reverdy mandou lhe entregar um cheque de dois milhões de francos e mandou muitas rosas para Sylvie, Jean fica convencido de que a sua jovem, bela e sensual esposa foi seduzida pelo seu rico e poderoso patrão, embora isso não tenha acontecido. 

Afinal, Sylvie é completamente apaixonada por Jean e muito dificilmente o trairia. Mas ela não percebeu que o jogo que fazia com Reverdy era bastante perigoso, pois mexia com sentimentos muito fortes, e que o mesmo poderia ter consequências imprevisíveis. 
Mesmo com o marido correndo o risco de ser preso, em nenhum momento a bela Sylvie deixa de apoiar Jean. Até porque ela se sente responsável pelo que aconteceu. 
Ela queria ‘apenas’ usar do seu poder de sedução para arrancar o dinheiro de Reverdy, mas jamais pensou em se relacionar (sexual ou romanticamente) com o mesmo. Logo, eles não chegam a ‘consumar’ tal relação de atração e sedução que Sylvie faz. 

Mas Jean não sabe disso, ficando inteiramente possesso ao pensar na possibilidade de que Sylvie tenha se relacionado com o seu patrão e, assim, toma a decisão de matar Reverdy. 

Desta maneira, Jean pega o carro e vai atrás de Reverdy. Assim, Jean vai, pelas ruas de Paris, à noite, o que dá origem a uma bela cena, tipicamente urbana, que está sempre presente nos filmes ‘Noir’, com seus carros em ruas escuras, mal iluminadas. 

Jean vai até a casa em que Reverdy recebe os seus amigos e amigas, que é um local reservado para beber, usar drogas, praticar a prostituição e fazer outras ‘cositas más’, práticas claramente ilegais que são do conhecimento da Polícia, mas que esta não tem como reprimir, pois Reverdy tem fortes conexões com os poderosos mandas-chuvas da cidade, que lhe dão cobertura para as suas atividades ilícitas. 
Martin faz chantagem com Jean, exigindo a entrega de uma grande soma de dinheiro para devolver o revólver do mesmo. Mas o destino de Martin não será dos melhores.
Assim, a denúncia da corrupção praticada pelos poderosos, que é outra característica importante da literatura policial e dos filmes ‘Noir’, também está presente nesta bela e clássica produção de Cazeneuve. 

Jean vê a sua esposa ir embora, entrando em um táxi, e fica esperando pelo momento em que Reverdy sairá da sua mal afamada casa (muitas pessoas sabem o que se faz ali...) para matar o homem que deseja lhe tomar a esposa, a qual ele ama intensamente, sentimento no qual é plenamente correspondido por Sylvie. 

Mas o seu plano tem um resultado catastrófico: Em vez de assassinar o seu patrão, ele acaba matando outro homem, inteiramente desconhecido.  E quando percebe o que fez, ele fica preocupado em saber se ninguém o viu cometendo o crime e esconde o corpo da vítima. 

Porém, ele deixa algumas pistas para trás: a chave do seu carro e um revólver.

Quando ele volta para casa, Sylvie o esperava para sair, mas ele conta que havia 
cometido um assassinato. A esposa reage com perplexidade, porém, fica ao lado dele e decide ajudá-lo. Ele até chega a buscar o carro, usando a sua própria chave. 
A bela Sylvie fica tensa e preocupada com o fato de que Jean ainda poderá ser preso e faz de tudo para ajudar o marido. 
Afinal, Sylvie sabe que tem uma grande parte da responsabilidade pelo que aconteceu e, com isso, ela rasga o cheque de dois milhões de francos que havia recebido e Jean devolve a chave do apartamento de Reverdy para o mesmo. 

Sylvie também telefona para a Polícia a fim de descobrir se haviam encontrando o corpo de um homem que tivesse as mesmas características daquele que Jean matou, mas o investigador não lhe diz coisa alguma. 

Na sequência, vemos uma parte do filme que mostra toda a crescente tensão, angústia e nervosismo do casal, que fica preso dentro do seu apartamento, aguardando pelo momento em que algum investigador da Polícia irá aparecer ali para interrogar e prender Jean pelo crime que o mesmo havia cometido. 

Jean e Sylvie compram todos os jornais (‘Le Figaro’, ‘Le Parisien’) para descobrir se a Polícia já encontrou o corpo, mas nenhuma informação é publicada a respeito. 

Mas não demora muito e Jean passa a ser chantageado por um homem, que lhe envia a chave e um desenho da cena do crime. Este chantagista acabará exigindo três milhões de francos para devolver o revólver, dinheiro que o casal não possui. O chantagista e Jean marcam um encontro no Metrô, onde trocarão o revólver pelo dinheiro. 
Sylvie tenta usar do seu poder de sedução para conseguir que Reverdy não prejudique Jean. Mas o seu ex-patrão quer muito mais do que apenas seduzir Sylvie...
Jean e Sylvie vão juntos, mas ela fica olhando de longe, apenas observando, sendo que a missão dela seria perseguir o chantagista depois que o mesmo devolvesse o revólver. 

Porém, nem Jean levou o dinheiro combinado e tampouco o chantagista levou o revólver. Com isso, o chantagista aumenta o valor do 'resgate' do revólver para quatro milhões de francos. Porém, o mesmo estava sendo vigiado pela Polícia e na tentativa de fugir ele acaba morrendo, ao cair sobre os trilhos do Metrô. 

Assim, Jean e Sylvie pensam que os seus problemas terminaram, mas depois foi a vez de Reverdy aparecer, reconhecendo que o chantagista estava a seu serviço e que o revólver usado por Jean no crime está com ele. 

Para devolver o revólver, Reverdy diz que deseja que Jean lhe entregue a sua esposa e que se ele não o fizer irá para a prisão. Reverdy também afirma que todos podem ser comprados e que ele nunca fracassa. 
Sylvie despreza e humilha Reverdy depois que este lhe disse que desejava ser amado e viver com ela. 
Jean recusa-se a dizer para Sylvie o que Reverdy deseja em troca da devolução do revólver e decide ir atrás do mesmo, com o objetivo de eliminá-lo. Desesperada com a situação que criou, Sylvie telefona para Reverdy, atraindo-o para a sua residência, com o objetivo de trocar o revólver por uma relação sexual. 

Mas ela fica surpresa quando o mesmo lhe diz que não deseja ter apenas uma relação sexual com ela, mas viver ao lado dela, para ser amado por Sylvie. Esta reage com uma risada histérica, o que irrita Reverdy. Sylvie lhe diz que jamais irá amá-lo, pois já sente esse amor por Jean. Ela humilha Reverdy, dizendo que ele acabará sua vida como um velho infeliz, amargo e solitário. 

Reverdy vai para a sua casa (em Montmartre), onde é procurado pelo investigador Toussaint, que lhe diz que sabe das suas conexões ilegais com o chantagista morto e que um homem que havia sido atacado (por Jean) nas proximidades de sua residência sobreviveu ao ataque. 

Toussaint diz que tal homem havia saído da casa de Reverdy e que o mesmo contou tudo sobre as atividades ilícitas deste, dizendo que ele não conseguirá, desta vez, se livrar de uma investigação, mesmo tendo conexões poderosas que sempre lhe protegeram. 
Reverdy apontando a arma para Jean...
Neste momento, Jean estava dentro da residência de Reverdy, escondido, e ouviu tudo. Porém, Reverdy está com a sua arma e ameaça mata-lo. Jean chega a telefonar para Sylvie, dizendo que logo voltará para casa, mas fala num tom de voz diferente, como se estivesse se despedindo da esposa. 

Mas ele sai da casa e Reverdy não o mata. Logo depois, ouve-se um tiro, que é o do suicídio do patrão rico, solitário, velho e amargurado. 

Jean caminha de volta para casa, feliz, onde vê, na cidade, uma imagem imensa da esposa na capa da revista de Reverdy.

Fim. 

Obs4: Na obra-prima ‘A Dupla Vida de Véronique’, do genial cineasta polonês Krzysztof Kieslowski, também aparece uma imensa fotografia, na mesma cidade de Paris, da protagonista do filme, e que também é (tal como Sylvie) uma modelo fotográfica (que é interpretada por Irène Jacob). Teria o cineasta polonês se inspirado neste filme de Cazeneuve? 

Frase: Reverdy: Faça o que digo ou faça-me desaparecer. Eu também gostaria disso. Matar duas vezes ao mesmo homem. 
Fotografia imensa de Sylvie em rua de Paris, fazendo propaganda da revista... Será que, no belíssimo 'A Dupla Vida de Véronique', Kieslowski se inspirou no filme de Cazeneuve? 
Informações Adicionais:

Título: Cette Nuit-Là (Aquela Noite);
Diretor: Maurice Cazeneuve;
Roteiro: Maurice Cazeneuve, Paul Guimard, Henri-François Rey (baseado no romance de Michel Lebrun ‘Un Silence de Mort’)
Ano de Produção: 1958; País de Produção: França;
Duração: 90 minutos; Gênero: Drama; Policial; Romance; 
Fotografia: Léonce-Henri Burel;
Música: Claude Bolling (sequências de Jazz), Henri Forterre, Maurice Leroux;
Elenco: Mylène Demongeot (Sylvie Mallet); Maurice Ronet (Jean Mallet); Jean Servais (André Reverdy); Jean Lara (Investigador Toussaint); Françoise Prévost (Secretária de Reverdy); Hubert Noel (Gérald Martin); Gilbert Edard (François).

Vídeo - Trecho do Filme:

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